terça-feira, 30 de março de 2010

Não posso mais escrever
Trago no corpo a vontade da vida
Tão intensa
Que me paralisou o espírito

Percebi a grandiosidade em mim
Num vinte de fevereiro
E era noite e era a cama
E o coração saltando pela garganta

Vinte de fevereiro
E eu virei mulher
Quase sem aviso

Vinte de fevereiro
E eu abri as janelas
Nenhuma nuvem no céu
Era o infinito que se compadecia
Com meu medo e minha felicidade

Vinte de fevereiro
Descobri que não poderia mais escrever
Porque as palavras são vícios solitários
e agora sou tanto que sou duas
ou dois


Vinte de fevereiro
Paguei minha dívida com a humanidade
E tenho a alma tranqüila

(...)

Este é o testamento das minhas poesias:
Para vocês, versos da minha vida
Deixo a eternidade.




Março 2010

3 comentários:

João P.S. disse...

Formidavel.

Tuca Zamagna disse...

Li todas as suas postagens, Ginha. Você escreve muito bem, com sensibilidade e força criativa. Por que posta tão pouco?

Sei que diz neste poema que ele é o testamento da sua poesia, mas eu o entendo como uma certidão de nascimento -- ou renascimento -- da sua "eternidade". É preciso morrer muitas, muitas vezes, para viver de verdade.

Roberta Araujo disse...

Que lindo, Ginha!